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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Comissões de Deputados debatem sumiço de Emilly em Rio Pardo de Minas

Delegada que assumiu o caso descarta participação física do pai e da madrasta da menina
Aconteceram muitos protestos e cobranças na audiência pública

Apontado por parte da comunidade de Rio Pardo de Minas (Norte) como suspeito pelo desaparecimento da menina Emilly Ketlem Ferrari, de oito anos, o pai da garota, Leandro Campos, teve sua participação física no episódio descartada pela delegada responsável pelo caso, Cristina Coelli Cicarellli Masson, Ela fez essa afirmação durante audiência pública conjunta das comissões de Direitos Humanos e de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada na manhã desta segunda-feira (15/7/13), na Escola Estadual José Cristiano, em Rio Pardo de Minas. A reunião atendeu a requerimento do deputado Paulo Guedes (PT). Emilly Ferrari está desaparecida desde 4 de maio, quando brincava na porta de casa por volta das 17 horas. Até agora não há qualquer pista de seu paradeiro.

Segundo Cristina Coeli, há imagens do pai gravadas pelo circuito interno de um supermercado na cidade vizinha de Taiobeiras, praticamente no mesmo instante em que a menina desapareceu. Ela acrescentou que as investigações sobre uma possível participação de Leandro e de sua atual esposa no sumiço de Emilly reuniu um processo com sete volumes, mas não houve sequer uma prova material contra ambos.

Bastante emocionado, Leandro Campos se disse “massacrado e humilhado por pessoas maldosas e covardes”, que não esperam o fim do inquérito policial para tirar suas conclusões. Diante de centenas de pessoas que compareceram à audiência, ele garantiu que nunca teve qualquer motivo para fazer mal à própria filha. “Já estou julgado pela população, mas vou manter minha cabeça erguida até o fim e provar minha inocência”, afirmou.

O pedido de prisão preventiva contra Leandro, negado pela Justiça, foi feito para atender a um clamor da população, disse o delegado Luís Cláudio Freitas do Nascimento. Antes de Cristina Coeli assumir o caso, ele era o responsável. A mudança também se deveu a uma desconfiança da comunidade local quanto aos procedimentos adotados por Nascimento, mas Cristina Coeli garantiu que tudo foi feito dentro dos padrões da Polícia Civil.
Estatísticas - Ela levou alguns números para o conhecimento dos deputados e da população. Segundo ela, desde 2006 foram registrados em Minas 17.228 desaparecimentos.  Em 14.368 casos as pessoas foram localizadas e 2.860 estão sob investigação. De todos os casos, 915 são de crianças entre zero e 12 anos, sendo que 833 foram encontradas. Atualmente, no Estado, há 82 crianças nessa faixa etária desaparecidas.

Policiais devem ser afastados pela Corregedoria
O advogado de Tatiany Ferrari Viana, mãe de Emilly, Diogo Emanuel Correa, acusou dois policiais civis de Rio Pardo de Minas de o estarem ameaçando. Ele disse que, depois que pediu a substituição do delegado, dois investigadores passaram a ameaçá-lo. Um deles, identificado como Elton, teria postado na internet que o estava monitorando constantemente. O outro, identificado como Samuel, teria postado que a audiência pública desta segunda-feira serviria apenas para que os deputados pudessem pedir votos.

Diante disso, a delegada Cristina Coeli afirmou que os dois policiais deverão ser afastados do caso, tão logo seja aberto um processo administrativo pela Corregedoria da Polícia Civil.

Também presente à audiência, a secretária adjunta de Defesa Social, Cássia Virgínia Serra Teixeira Gontijo, alertou que é preciso não confundir possíveis desvios de conduta por parte dos policiais com reflexos disso na apuração do desaparecimento de Emilly. “São coisas distintas”, garantiu. “Se houve qualquer atitude não compatível com a função pública, ela será apreciada pela Corregedoria. Não podemos usar qualquer situação para prejudicar o que é mais importante, que é descobrir onde está Emilly”, destacou.

Ela também procurou desencorajar o que chamou de “burburinhos” diante da atuação policial. “Esse disse-me-disse não favorece em nada o caso”, disse ela, convicta de que a investigação tem sido feita da forma correta desde o início. “Pode não ter sido o resultado mais satisfatório, mas é fato que houve investigação”, ponderou.

Cassia Virgínia ainda advertiu a população: “Não é papel da polícia encontrar um culpado a qualquer custo, e sim encontrar o culpado, encontrar Emilly. Não podemos de forma pressionada apontar um culpado para Rio Pardo de Minas. Este tem que ser também o entendimento da comunidade. Em vez de auxiliar numa investigação, ela pode estar tumultuando-a.”

O caso Emilly tem mudado o comportamento da população. Sérgio de Freitas Barbosa, que falou em nome dos pais da cidade, expôs o sentimento de abandono vivido pelas pessoas no que diz respeito à segurança pública. A professora Maria Inês Santos Fróes relatou que nas escolas não se fala em outra coisa. Segundo ela, algumas mães contaram que seus filhos estão tendo pesadelos.
O autor do requerimento para a reunião, deputado Paulo Guedes, considerou a audiência uma oportunidade para as pessoas se esclarecerem sobre o caso. Ele agradeceu às forças de segurança do Estado pelo empenho demonstrado e pelas respostas aos questionamentos, mas cobrou do Governo melhorias na estrutura das polícias Civil e Militar. Em Rio Pardo de Minas, por exemplo, ele disse que há apenas duas viaturas da Polícia Civil, sendo que uma está quebrada.

O deputado Rogério Correia (PT) parabenizou a comunidade pelo engajamento em torno do caso. “É um grito de solidariedade à Tatiany (mãe de Emilly) e também uma demonstração de mobilização em torno da segurança pública e da melhoria da qualidade de vida da população. Ele disse acreditar que delegada Cristina e sua equipe farão tudo, de forma incansável, para esclarecer esse caso.

Para o deputado Luiz Henrique (PSDB), a reunião foi muito proveitosa e esclarecedora. Ele aproveitou para pedir mais verbas federais para a segurança pública.

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