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sábado, 27 de julho de 2013

Sumiço de Emilly ganha novos investigadores, mas continua do mesmo jeito: misterioso

Delegada Cristina Coelli, de BH, assume o caso, mas ainda não anunciou novidades
RIO PARDO DE MINAS – A troca de farpas na Internet entre o advogado Diogo Emanuel e detetives da Delegacia dessa cidade resume a tensão que envolve o desaparecimento de Emily Ketlem Ferrari Campos, de oito anos, ocorrido desde o dia 04 de maio. Para o advogado houve desinteresse nas investigações, já para os detetives o advogado tentou tirar proveito político do caso. Resultado: a repercussão chegou às autoridades em Belo Horizonte e o inquérito mudou de mãos. Agora, as investigações estão por conta da delegada Cristina Coelli Cicarellli Masson, da Delegacia de Desaparecidos de Belo Horizonte.

As mudanças ocorreram depois que a mãe de Emilly, Tatiany Ferrari, acompanhada de Dr. Diogo Emanuel, foi pedir ajuda na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, oportunidade em que causou comoção nos deputados e conseguiu a realização de audiência pública com duas Comissões, ocorrida no dia 15, com participação estimada de 1.000 pessoas.

Além do desaparecimento da menina, os deputados também debateram imbróglios que envolvem o caso, já que o advogado Diogo Emanuel relatou que tem sido ameaçado por denunciar que a Polícia Civil não tem dado a atenção devida ao sumiço. Ele denunciou ainda uma vergonhosa escala de trabalho dos delegados na região, onde trabalham 15 dias e ficam outros 15 de folga.

Na audiência, a delegada Cristina Coeli descartou a participação física do pai de Emilly, Leandro Campos, que, até então, era considerado, junto com a madrasta, os principais suspeitos do desaparecimento de Emilly. Dra. Cristina Coeli afirmou que há imagens do pai gravadas pelo circuito interno de um supermercado de Taiobeiras praticamente no mesmo instante em que a menina desapareceu. “Não existe no inquérito, sequer uma prova material contra ambos”, afirmou a delegada.

Por outro lado, o ex-delegado do caso, Luiz Cláudio Freitas, havia pedido a prisão preventiva de Leandro, mas o pedido foi negado pela Justiça. Na audiência pública, o delegado disse que o pedido foi feito para atender a um clamor da população.

Emocionado, o pai Leandro Campos se disse “massacrado e humilhado por pessoas maldosas e covardes”, que não esperam o fim do inquérito policial para tirar suas conclusões. Ele garantiu que nunca teve qualquer motivo para fazer mal à própria filha. “Já estou julgado pela população, mas vou manter minha cabeça erguida até o fim e provar minha inocência”, afirmou.
Cerca de mil pessoas participaram da audiência pública
Afastamentos de policiais

O advogado da família Emilly, Diogo Emanuel, acusou dois policiais civis de Rio Pardo de Minas de o estarem ameaçando. Ele disse que, depois que pediu a substituição do delegado, dois investigadores passaram a ameaçá-lo. Um deles, Elton Reis, teria postado na internet que o estava monitorando constantemente. O outro, Samuel Castro, teria postado que a audiência pública serviria apenas para que os deputados pudessem pedir votos.

Diante disso, foram protocolados pedidos para que os dois policiais sejam afastados do caso, através de abertura de processo administrativo pela Corregedoria da Polícia Civil. Na oportunidade, a secretária adjunta de Defesa Social, Cássia Virgínia Gontijo, alertou que é preciso não confundir possíveis desvios de conduta por parte dos policiais com reflexos disso na apuração do desaparecimento de Emilly. “Se houve qualquer atitude não compatível com a função pública, ela será apreciada pela Corregedoria. Não podemos usar qualquer situação para prejudicar o que é mais importante, que é descobrir onde está Emilly”, disse.

O detetive Elton Reis publicou uma série de críticas contra o advogado Diogo Emanuel no Facebook, pois, segundo ele, “toda vez que a polícia queria seguir um rumo diferente, diziam que a gente tava querendo desviar a atenção do principal suspeito”. Elton alega ainda que as críticas feitas pelo advogado contra a Polícia Civil foram motivadas por uma multa de trânsito quando seu carro foi flagrado estacionado na contramão. Por diversas vezes, o detetive chama o advogado de político fracassado na rede social.

Já o detetive Samuel Castro, disse que “seria cômico se não trágico” um requerimento de deputado para um policial ser afastado de um caso de tanta complexidade, “Eu, profissionalmente, não perco nada com isso, quem perde, com todo esse rebuliço é a família da criança”, disse Samuel.

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