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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Seca derruba até a safra de Pequi

Produção do principal fruto do cerrado está comprometida pela falta de chuva
Com Luiz Ribeiro/EM

A safra do pequi, que vai de dezembro a fevereiro, sempre proporcionou o aumento da geração de renda e o sustento de famílias de pequenos produtores, ocasionando também maior movimento no comércio, em vários municípios do Norte de Minas, principalmente Taiobeiras, Montes Claros e Japonvar. Neste ano, no entanto, a chegada da “época do pequi” está longe de representar a bonança das safras anteriores, devido a uma situação inusitada: a elevada queda na produção do fruto-símbolo do cerrado. A falta de chuvas e a morte de pequizeiros, atacados por uma praga, são apontados como os motivos da vertiginosa redução da colheita, que segundo os próprios produtores, pode chegar a 80%.

Os pequizeiros sempre foram resistentes à escassez de chuvas. Mas, avaliam os produtores, como o Norte de Minas teve quatro anos seguidos de estiagens prolongadas, a espécie também não resistiu e sofreu a drástica queda na produção. Nos últimos anos, os pés de pequi também estão sendo atacados por um besouro que destrói as folhas e as flores da planta, impedindo a produção e matando as árvores.

Os efeitos negativos da brusca queda na produção do pequi são sentidos em Japonvar – município de 8,4 mil habitantes. Como em outros pequenos municípios do Norte de Minas, os moradores ficam na expectativa da chegada desta época do ano, com a esperança de ganhar algum dinheiro como catadores do fruto nativo no mato, em um trabalho que envolve famílias inteiras, incluindo as crianças. Desta vez, a redenção não veio.

Acho que neste ano será colhida apenas 20% da quantidade de pequi que deveria ser produzida na região”, afirma José Afonso Pereira de Aquino, presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável de Japonvar. “Nos últimos quatro anos, as chuvas foram poucas. A água da chuva foi pouca e ficou na superfície, sem penetrar no solo. Muitos pequizeiros não resistiram e morreram”, diz José Afonso. Segundo ele, a mortandade dos pequizeiros na região de quatro anos para cá também ficou na faixa de 20%.

Os produtores explicam que faltou chuva na época do pequizeiro florescer, por isso a safra caiu tanto neste ano. A produção vem caindo ano a ano com o longo período de seca.

Para piorar a situação, as mortes dos pequizeiros vêm sendo registradas em várias localidades do Norte de Minas. A praga está sendo disseminada por um besouro, que ataca as folhas e a raiz dos pequizeiros.


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