Justiça suspense operações da Sigma Lithium na região
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| Mineradora que vinha atropelando tudo e todos foi paralisada e multada. |
A
Sigma Lithium, mineradora com maior capacidade de produção de minério de lítio
do Brasil, recuou e anunciou nesta quinta (01/10) que suspendeu as operações na
região, isso depois que a Justiça Federal embargou todas as licenças ambientais
da mineradora.
Desde
o mês de setembro que a Sigma vinha se negando publicamente a cumprir a decisão
judicial, alegando que a sentença estaria em desacordo com o Estado de Direito
do Brasil, “uma vez que o devido processo legal não foi observado”.
Agora,
depois de milionárias multas, a empresa soltou um comunicado a investidores
para anunciar a nova posição, afirmando que “a suspensão decorre de um atraso
atípico de 15 dias” por parte do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6)
de julgar o pedido de recurso da empresa.
Fato
é que, em 24 de setembro, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) suspendeu
as licenças da Sigma, em conformidade com a decisão da Justiça Federal. Com
isso, as operações devem ser paralisadas, no entanto, a mineradora afirma que
manterá as operações comerciais e de reciclagem.
A
decisão da Justiça Federal faz parte de uma ação movida pela Federação das
Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (conhecida como N’Golo), pois
a mineradora não realizou Consulta Livre, Prévia, Informada (CLPI) com a
Comunidade Quilombola do Baú, localizada em Araçuaí.
A
Sigma alega que a Comunidade Quilombola do Baú não era oficialmente reconhecida
pelo Governo Federal entre 2019 e abril 2023, quando a empresa obteve suas
licenças ambientais junto ao governo de Minas Gerais.
E
os problemas com a Sigma na região não param por aí... A ANM (Agência Nacional
de Mineração) interditou a mina Grota do Cirilo após identificar risco iminente
relacionado às condições geotécnicas da operação, identificado durante
fiscalização em 18 de setembro, que apontou ruptura no talude leste da Cava
Norte, além de blocos instáveis e outros problemas geotécnicos na operação,
como risco de desprendimento de massa do talude sobre um reservatório
localizado no fundo da cava.
A
Sigma foi notificada a adotar uma série de medidas corretivas e preventivas.
Entre elas estão a reconformação do talude leste da Cava Norte, a implantação
de medidas de drenagem, o reforço do monitoramento geotécnico e o aprimoramento
dos procedimentos operacionais e de gestão de riscos.
Além
dos problemas estruturais, a Sigma ainda está com o “filme queimado” com a
justiça de Minas Gerais, já que vinha descumprido decisão liminar. Por isso,
foi determinada a incidência da multa fixada para o caso de inadimplemento.
E
tem mais, a Sigma é alvo de Ação Civil Pública que trata dos impactos
socioambientais sobre as comunidades de Piauí Poço Dantas, Ponte do Piauí e
Santa Luzia. A liminar, deferida em parte pela 1ª Vara e mantida pelo Tribunal
de Justiça de Minas Gerais, fixou obrigações relacionadas ao acesso das
famílias isoladas, à suspensão do ruído noturno e à realização de auditoria
técnica independente, sob pena de multa diária de R$ 500 mil por obrigação
descumprida.
Após
analisar a defesa da Sigma, o Juízo notou que a realidade é oposta ao que a
empresa havia assegurado, com medidas insuficientes e paliativas diante do
comando judicial, ficando claro o descumprimento das obrigações junto às
famílias atingidas pela exploração do lítio, que sofrem com ruído no período
noturno, com vibração nas residências e muita poeira.
Com
tantos problemas, o Juízo determinou a incidência, a exigibilidade e o
pagamento da multa cominatória prevista na decisão original. A mineradora foi
intimada a comprovar, no prazo de quinze dias, o recolhimento do valor devido e
a readequação das obrigações, sob pena de novas medidas e de majoração da
penalidade.
O
Ministério Público estima que as multas acumuladas pelo descumprimento de
decisões liminares já superam R$ 80 milhões, dentro de um teto global fixado em
R$ 200 milhões.
A
Sigma Lithium informou que recorreu das decisões nas instâncias superiores do
Poder Judiciário e que continua operando dentro de suas prerrogativas legais
enquanto os recursos são analisados.

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