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terça-feira, 1 de março de 2016

Março é mês de preparar a silagem para alimentar o gado durante a seca

Silagem de sorgo através do Sistema de Integração Lavoura-Pecuária com plantio em consórcio, junto com capim.
Por Thiago Fernandes

As chuvas do início do ano recuperaram boa parte das pastagens e ajudaram os pecuaristas a alimentar o rebanho. Mas o momento também é de preparo para enfrentar os meses de estiagem que não demoram a chegar.

De acordo com o coordenador técnico de Bovinocultura da Emater-MG, José Alberto de Ávila, nesta época do ano a capacidade de produção pecuária é maior em razão do regime de pasto. “O período de chuvas favorece o regime de pasto, com um custo de produção mais barato. A dúvida é daqui a 90 ou 120 dias, quando o pasto cai de qualidade e o produtor depende de suplementação com a utilização da silagem. Por isso é importante planejar a produção”, destaca.

A silagem é uma forragem – capim, milho, sorgo, etc – que é cortada, compactada, vedada e armazenada em silos para fermentação. Quando bem feita, o valor nutritivo da silagem é semelhante ao material de origem. Na época de seca, ela pode substituir o pasto e, por isto, é conhecida como suplementação volumosa.

Março é o mês que se intensifica a processo de silagem, com produção do material volumoso que foi plantado para esta finalidade. O processo de ensilagem vai do corte até a proteção do silo. Nesta fase, é preciso preservar ao máximo a qualidade da forragem produzida.

Para preparo da ensilagem, o produtor precisa estar atento ao ponto de corte, pois a qualidade da silagem depende da correta determinação do momento de corte. No caso do milho, a planta deverá apresentar teor de matéria seca na faixa de 30 a 35%. Já no corte para ensilagem, a picadeira deve estar bem regulada e com as navalhas sempre em boas condições para proporcionar uma boa picagem do material. O tamanho da partícula ideal é de 0,5 a 1,5 cm”, explica o coordenador da Emater-MG.

De acordo com Ávila, a compactação da silagem é uma operação de grande importância. O objetivo é expulsar o ar do interior da massa verde que está sendo ensilada, conseguindo um ambiente anaeróbico (sem oxigênio). A ação visa obter fermentação desejável (alta produção de ácido láctico). Quando o material se apresenta no ponto ideal de ser ensilado, a compactação bem preparada proporciona uma densidade de silagem da ordem de 650 a 700 kg/m3.

Outras questões importantes são o tempo de enchimento, a vedação e a proteção do silo. “São etapas que impedem o retorno de ar na massa verde e a entrada de animais. Perfurações na lona dão oportunidade à entrada de ar ou de água de chuvas eventuais para o interior da massa ensilada e causam perda de qualidade”, conclui.

Etapas da produção
Para obter silagem de alta qualidade é necessário estar atento a todos os pontos básicos que se relacionam com a atividade, tanto na fase de produção (que vai da análise de solo até o ponto de corte) como na fase de ensilagem (que vai do corte até a proteção do silo).

Segundo Ávila, quando trabalha com o sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) a primeira fase de produção começa entre maio e junho. “Primeiro é recomendado fazer análise de solo do pasto e aplicação de fertilizantes no pasto. Já em setembro é preciso retirar os animais do pasto para a rebrota do capim e formação da palhada e em outubro fazer aplicação de herbicida dessecante. Em novembro acontece o plantio direto do milho e em seguida duas adubações de cobertura. É preciso ficar atento à pulverização, para o controle de pragas. Em fevereiro retoma o processo de ensilagem”, ressalta.

Etapas da produção da silagem

Maio e junho – Análise de solo do pasto e aplicação de fertilizante.
Setembro – Preservar o pasto para a rebrota do capim e formação da palhada.
Outubro – Aplicação de herbicida dessecante.
Novembro – Plantio direto do milho e duas adubações de cobertura.
Dezembro – Pulverização para controle de pragas.
Fevereiro e março – Colheita e ensilagem.

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