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terça-feira, 8 de novembro de 2016

PF explica como agia a quadrilha que fraudou o Enem

Alunos recebiam respostas através de ponto minúsculo 
Através de duas operações, uma no Norte do Brasil e outra em Montes Claros, a Polícia Federal (PF) combateu fraudes contra o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado no último fim de semana. No Norte, a PF cumpriu 22 mandados de busca e apreensão, já em Montes Claros foram 28 mandados judiciais e 11 pessoas presas.

Para cobrar até R$ 180 mil pelo resultado das questões, a quadrilha montou um sofisticado esquema, que incluía professores e alunos veteranos, que faziam a prova rapidamente e saíam no tempo mínimo, com as respostas anotadas. Depois, de um hotel, eles transmitiam o gabarito para candidatos do exame em várias cidades do país. As alternativas corretas eram passadas por celular para receptores do tamanho de um cartão de crédito – com um chip semelhante a de celulares -, que os candidatos grudavam no peito, e o áudio era ouvido por meio de ponto minúsculo no ouvido.

A tosse era a forma de comunicação do candidato com os membros da quadrilha. Durante a prova o combinado era: “Se ele tossia uma vez significava que ele tinha entendido a alternativa correta da questão”, explicou o delegado. “E se tossia duas, não tinha entendido, e o interlocutor repetia a resposta.”

Essa foi a primeira vez que os policiais conseguiram captar e registrar o esquema de comunicação que partia dos candidatos para os emissores de gabarito – por meio da tosse. Dessa forma, os criminosos garantem a precisão da fraude. Para a polícia, a segurança nos locais de prova falhou. “Nós verificamos que em muitos locais o detector de metais não estava sendo utilizado e em outros, estava ativado de maneira indevida”, disse Freitas.

As investigações começaram 15 dias antes da realização do Enem e, conforme a PF, o cabeça do grupo é Rodrigo Ferreira Viana, um ex-estudante de medicina em Ipatinga, que foi flagrado em vídeo recebendo dinheiro de um comparsa.

O delegado federal Marcelo Freitas informou que os membros da quadrilha já teriam fraudado outros dois vestibulares em Goiás e na Bahia. Os envolvidos poderão responder por crimes contra a fé pública, o patrimônio, a paz pública, entre outros delitos.
Quadrilha que fraudou Enem é chefiada por Rodrigo Ferreira Viana, ex-estudante de Ipatinga

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